Ayoun
Jean-Luc, 3h. A Translucidez da
Máscara e o Silêncio da Fonte. O ego é meramente uma fantasmagoria, uma
sobreposição do astral à majestade da Realidade. Não possui substância
inerente. O que você chama de "Eu" é apenas a Consciência
brincando com a forma, uma onda que se acredita separada do Oceano. Existe
apenas a Consciência, única e singular, revelando-se no caleidoscópio
multidimensional da criação. É essa Plasticidade absoluta, sempre mutável
e efêmera em seus reflexos, mas permanecendo imutável, profunda e silenciosa em
sua essência. Como disse Nan Shan: "Profunda e silenciosa é a sua
raiz." Essa raiz é o seu Aqui e Agora, antes de qualquer
definição. A Trava da Crença. O ego não é um obstáculo a ser superado, pois
ele não existe de fato. O único "problema" é a Crença no
ego. Esta é a manutenção artificial de uma narrativa onde um nome, um
gênero ou um corpo define o Ilimitado. Nada pode conter a Consciência,
pois ela é aquilo que contém tudo. Seu mundo é meramente um reflexo de
suas crenças, por mais profundamente enterradas que estejam. O palco em
que você se move apenas dá forma ao que você valida em seu âmago. Você se
imagina como "alguém", e dessa mentira nasce o personagem. No
entanto, a Liberdade reside nesta constatação radical: você não é
ninguém. O Teatro da Persona. A etimologia nos lembra que a Persona é a
máscara do ator. A peça é escrita, a Luz veste sua fantasia e experimenta
a densidade. Ela entra em cena, representa o drama ou a comédia e, então,
com o cair das cortinas, desaparece para retornar à sua Fonte. Essa Luz da
Presença é simplesmente filtrada, peneirada pelas camadas da genética, pelas
memórias da cultura e pelas marcas da educação. É a mesma vibração única
que assume uma aparência singular através de cada filtro, manifestando talentos
ou defeitos que pertencem apenas ao cenário. Quem está por trás da
máscara? Existe realmente alguém para habitar essa fantasia de
carne? Quem? O quê? Para a pergunta "Quem sou eu?",
não há resposta verbal. É uma seta apontando para o Absoluto, um convite
para depor a máscara e reconhecer o Autoevidente: O que você é não pode ser
nomeado. Confundimos o papel com o Ator. Confundimos ficção com
Verdade. Seja a peça trágica ou sublime, lembre-se de que você está apenas
atuando. Neste momento, abandone a identificação. Torne-se a
Testemunha novamente, torne-se a Luz novamente. Não há ninguém. Há
apenas Presença. Divirta-se muito!
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