


BIDI - DESTAQUES DO TEMPO DO FIM [CXXXIX] :
Na vivência final, pode haver flutuações na enormidade da revelação, mas extremamente rápido. Eu diria, de uma maneira imaginária, que há um gosto pelo Real, e que este Real se instala como um estado permanente, não importa o que o personagem diga ou viva. Ele está aí, ele vive o que tem que viver em todos os níveis, mas não afeta mais o que você é.
É uma felicidade que nada pode tocar nesta Terra ou em qualquer outro lugar. É o único lugar onde não pode haver incerteza, nenhuma hesitação, porque a memória de quem você é, que tinha sido esquecida pelo jogo da consciência e da forma, é inteiramente verdadeira e inteiramente reconhecida. Esta é a única certeza que você pode ter. Você não pode ter outra, eu diria tão certa como esta.
E, é claro, em cada minuto, em cada respiração, você sabe que está neste mesmo lugar o Tudo e o Nada conjugado. Isto é suficiente em si mesmo e é difícil de descrever, porque não está relacionado a nada compreensível, a nada identificável dentro de uma forma ou de um mundo. Mas também há uma certeza absoluta de que isto é verdade e real. Todo o resto do personagem é aceito, a ilusão continua a ser vivida, mas nunca mais você pode perder este Eterno Eu.
Nunca mais você desejará outra coisa, é o estado perfeito que transcende todas as experiências e todas as condições do homem, alma ou espírito. É a Verdade. E todos os irmãos e irmãs que a vivem não podem, de maneira alguma, contestar isto. É inabalável, sem dúvida. Nada mais pode movê-lo, não importa o que este corpo ou este mundo vivam.
Você terminou o sonho, terminou a criação que, na realidade deste ponto de vista do Absoluto, nunca se expandiu e nunca se retraiu. Você está no centro do centro, nenhum mundo ou personagem, pode afetá-lo. Isso não é insensibilidade como poderia parecer de fora, mas realmente o que eu tenho chamado de Indiferença Divina. E é exatamente assim que você vivencia.

Ayoun Jean-Luc
3 horas atrás.
Marina Marino era, e é, uma pessoa incrível... Deixe-me explicar... Desde o momento em que li sobre seu falecimento, não me senti comovido nem triste. Poucos minutos depois, enquanto fazia algo completamente diferente, algo muito intelectual, senti uma presença, não no meu canal mariano ou no meu coração como em uma canalização, mas toda a atmosfera do cômodo se encheu de um amor indescritível, e soube instantaneamente que era Marina. O carteiro tocou. Tive que sair do cômodo para abrir a porta da frente. Ao retornar ao cômodo, a presença preencheu todo o espaço com um amor indescritível.
Retomei meu trabalho puramente intelectual, mas a presença me deixou literalmente extasiado, muito mais do que Oma, Bidi ou Ma Ananda Moyi. Decidi abandonar meu trabalho em uma publicação acadêmica muito séria sobre Grothendieck. Decidi estar disponível, sem público para expressar meus pensamentos, e sempre com minha caneta e papel por perto. Ao mesmo tempo, ouvi as palavras que Marina queria transmitir a cada um de vocês sendo escritas. O que mais me surpreende, ainda hoje, é a sua vastidão, a sua qualidade. Ágape e silêncio entrelaçados... É impressionante e tão real... Cada vez que um pensamento sobre Marina me vem à mente, essa mesma presença imensa surge... É quase belo demais. E, no entanto, tão presente...